Me encho cada vez mais de conhecimentos, sou proficiente na leitura e na escrita, faço associações entre autores e entre eles e a realidade e… converso. Crise existencial e empregatícia: de que me servirá, ao falar sobre a vida, resgatar Berger e Luckmann para falar que são os papéis sociais que as instituições sociais impõem, nós como meros atores, comparar liberalismo e republicanismo à luz de Philip Pettit e, para não ficar em nomes distantes, trazer a denúncia de Marx ao capitalismo contrapondo com o célebre dito de Churchill (“O capitalismo é o pior sistema econômico, exceto por todos os outros”), além de parecer um intelectual para os poucos que me dão a liberdade de discutir qualquer coisa? Seria meu conhecimento superficial demais, serei eu um leviano indivíduo fruto dos estudos pessimistas da ignorância coletiva, ou só cabe a mim, agora, assimilar a retórica aristotélica e criar o “discurso competente” de que falou Marilena Chaui? De qualquer modo, seja como for, alguém, algum dia, tentará me compreender?
Como não odiar um intelectual e como não concordar com um. Um dia serei intelectual apenas para poder dizer que não sou, e com todo o desprezo da minha lingua azeda dizer: “intelecutais que me masturbem, sou marginal!”.
Intelectuais são complicados e frescos. :]