No meu ônibus sou o primeiro a entrar, bem cedinho. Gosto de sentar na frente, naqueles bancos vermelhos com um adesivo na janela: “Para idosos e deficientes”. Eu era feliz até o dia em que um centenário subiu na condução na metade do caminho. No ônibus lotado, pediu meu lugar entre os quatro bancos vermelhos — sempre foi assim, devo transmitir algo bom. Relutei:
– Você é deficiente?
Negou.
– Então não saio. Aqui está escrito: “Para idosos e deficientes”. Se você só é idoso, fique de pé.
Qual não foi minha surpresa quando, no chuvoso dia seguinte, o adesivo agora dizia “Para idosos ou deficientes”. Liguei para um conhecido e lhe pedi um servicinho. Deu certo: meu lugar não foi ameaçado.
Véspera das férias do meio do ano, eis que sou interrompido da minha soneca trepidante. Era ele, o centenário, sem um braço, pedindo meu lugar. Envergonhado por ele estar ali, me apoiei no braço do banco para sair, quando lembrei do adesivo. Conferi, era aquele mesmo.
– Sinto muito, este banco é para idosos ou deficientes.
***
Inspirado em Vovó Arlinda.
HAUIAHiuAHUAhaUIAIUAUIHAUIhaUIAUIaIUAUIaUIAHuiA
Sacaneou o velho!
Abobado!