– Oi, sou o Salazar, amigo de infância de seu pai. A propósito, como ele está? — perguntou ao se aproximar. Lembro de tê-lo visto quando tinha dois anos, pouco mais talvez. Papai não gostava dele.
– Passou doente os últimos meses, ninguém descobria o que ele tinha. Ontem foi a missa de sétimo dia, que não pude porque tive que cuidar do meu avô. — Quase chorei, ainda mais com a frieza com que ele recebeu a resposta.
– Oh, que pena. E sua mãe, como vai? — prosseguiu, com desinteresse, como que esperando uma resposta curta para iniciar um assunto importante. Tentei ser conveniente, mas não consigo mentir. Fui, ao menos, sucinto.
– Um dia acordei e ela tinha sumido. Dizem que um amante foi buscá-la assim que soube do internamento do meu pai. O senhor conheceu a minha irmã mais velha, Denise? — dei a deixa para uma resposta otimista, já que morava fora do país.
– Denise? Seu pai me falava bastante dela, mas não tive a honra de conhecê-la. Pelo que ouvi, uma mulher adorável, não é?
De repente, me lembrei de uma carta que meu pai recebeu há alguns anos. Ela contou que não encontrou trabalho e que seus últimos centavos gastou para comprar o envelope. Da saudade que me bateu, acabei contando a longa história de nossas vidas.
Ele não desistiu. Parece que ia, finalmente, perguntar de mim, quando viu que na minha barraquinha tinha um papel com cachorro-quente por R$ 1,00! escrito a mão. Olhou para o céu.
– Bonito tempo. não?
– Um pouco frio. Justo hoje que não trouxe agasalho.
– É, mas dizem que vai esquentar amanhã. — Antes que eu reclamasse do serviço meteorologia, fez uma expressão conformada e emendou: — Bom… foi ótimo ver você depois de tanto tempo. Mande lembranças para… A gente se vê por aí.
Não vendi nenhum cachorro-quente depois disso.
eu ainda não sei pra que serve cumprimentos. Há tempos vinha me queixando da falta de respostas em ônibus coletivo, caixas de banco. Agora, depois de ler esse texto, sinto que talvez ainda não exercitei minha alta educação com vendedores de cachorro-quente.
E o o cara do táxi semana retrasada:
-Na festa né?!!
Eu,
-Como moço?