Ontem lavei um copo, minha mãe viajou.
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Matou o rei da Arábia Saudita
Facadas
Um
Matou o rei da Austrália
Espingardada
Dois
Matou a rainha de Luxemburgo e a britânica
Rainhada, uma contra a outra
Três, quatro
Assassinados também os monarcas do Japão e da Jamaica
Emaconhados overdosemente
Cinco, seis
Adeus, governador de Mônaco e senhora malaia
Um pé de vento atirou-as da janela do castelo
Sete, oito
E se não matou mais
Foi porque sua escola
Não ensinou a contar
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Antes (algum desses na foto)
Depois (fonte)
Estourando minhas espinhas, em uma semana fico igualzinho ao astro.
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No meu ônibus sou o primeiro a entrar, bem cedinho. Gosto de sentar na frente, naqueles bancos vermelhos com um adesivo na janela: “Para idosos e deficientes”. Eu era feliz até o dia em que um centenário subiu na condução na metade do caminho. No ônibus lotado, pediu meu lugar entre os quatro bancos vermelhos — sempre foi assim, devo transmitir algo bom. Relutei:
– Você é deficiente?
Negou.
– Então não saio. Aqui está escrito: “Para idosos e deficientes”. Se você só é idoso, fique de pé.
Qual não foi minha surpresa quando, no chuvoso dia seguinte, o adesivo agora dizia “Para idosos ou deficientes”. Liguei para um conhecido e lhe pedi um servicinho. Deu certo: meu lugar não foi ameaçado.
Véspera das férias do meio do ano, eis que sou interrompido da minha soneca trepidante. Era ele, o centenário, sem um braço, pedindo meu lugar. Envergonhado por ele estar ali, me apoiei no braço do banco para sair, quando lembrei do adesivo. Conferi, era aquele mesmo.
– Sinto muito, este banco é para idosos ou deficientes.
***
Inspirado em Vovó Arlinda.
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Inevitavelmente, todas tiram um pedacinho de mim. Mas isso é o de menos.
A de ontem era simétrico-obsessiva, a primeira que encontrei da categoria. Cortou até a carne a primeira unha e fez o mesmo até a última. Ainda está doendo para digitar.
Passei uma manhã desgastante na rua e, para relaxar, fui fazer as mãos perto de casa antes de ir almoçar. Ela aproveitou-se da minha fraqueza e tirou dois bifes do mesmo dedo. Desmaiei.
A propósito, elas não podem parar de mexer no cantinho afetado pelo menos até que eu me recupere da ardência do álcool?
À procura da manicure perfeita, percorro todo tipo de salão, inclusive os só-madame (foi muita audácia entrar no Princess Hair). É muito fácil encontrar as preconceituosas, que cortam quadrado e só passam base se eu disser que meu namorado gosta.

Passei uma semana ocupado e só consegui tempo no sábado. Minhas mãos estavam uó e eu não tinha marcado hora com ninguém. Não esperava grande coisa, mas a que encontrei livre tinha 73 anos (confessados) e o salão cheirava a água sanitária — não tinha esterilizador, mas “é tudo bem limpinho com Qboa”. Depois de um serviço e um papo inesquecíveis (se estivesse com o celular, fingiria uma ligação para sair rapidinho), comentou que também tirava calos, depilava e maquiava noivas (coitadas).
Passei por tudo isso porque a minha preferida sumiu. O único defeito (ou excesso de perfeição) era que, toda vez que pegava na minha mão, meu coração disparava e eu tremia (no bom sentido).
Coincidentemente ou não, as piores usavam mesinhas. A simetricobsessiva até pediu para eu mudar de lugar, porque eu tinha sentado na cadeira dela, sendo que a mesa era simétrica!
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